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VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO (1978)

Du er ikke alene
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Ficha Técnica

Outros Títulos: You are not alone (USA, UK)
Du står inte ensam (Suécia)
Pais: Dinamarca
Gênero: Drama
Direção: Ernst Johansen, Lasse Nielsen
Roteiro: Lasse Nielsen, Bent Petersen
Produção: Steen Herdel
Música Original: Sebastian
Fotografia: Henrik Herbert
Edição: Hanne Hass
Figurino: Jette Termann
Efeitos Sonoros: Per Assentoft
Efeitos Especiais: Peter Høimark
Nota: 8.6
Filme Assistido em: 2013

Elenco

Anders Agensø Bo
Peter Bjerg Kim
Ove Sprogøe Pai de Kim
Elin Reimer Mãe de Kim
Jan Jørgensen Professor Jens Carstensen
Jørn Faurschou Professor Andersen
Merete Axelberg Professora Mortensen
John Hahn-Petersen Professor Justesen
Hugo Herrestrup Conradsen
Beatrice Palner Senhora Jensen
Aske Jacoby Aske
Ole Meyer Ole
Janek Lesniak Janek
Peter Vittrup Aluno

Sinopse

Kim é um garoto de 12 anos de idade, cujo pai é diretor de uma escola para adolescentes no interior da Dinamarca, onde ele próprio estuda. Embora o diretor não aceite e nem admita, o clima entre os alunos internos é de total liberdade, pois eles fumam, bebem, cheiram algumas drogas, lêem revistas pornográficas e vivem com os hormônios à flor da pele.

Na escola, os garotos têm aulas sobre política, os efeitos das drogas e os impactos psicológicos das relações grupais de aceitação ou rejeição. Os professores adotam duas posturas: uma mais liberal, que favorece a reflexão e incentivam as descobertas da adolescência e uma mais conservadora, que prima pelo respeito aos professores e pela moral, submetendo os alunos a regras rígidas e primando pela “coerência na educação”. Apesar do formato laico, a escola oferece aulas de religião, denotando um modelo tradicional de educação.

Numa das aulas sobre política, em que se discute os regimes democráticos, um dos alunos questiona a participação dos jovens e idosos em tal regime, considerados marginais nos processos decisórios. O professor, como justificativa, fala da “imaturidade política dos jovens”, legitimando a representação social do jovem como um “não lugar”, um “não-ainda”, um “por vir”.

Nas cenas envolvendo os garotos, evidenciam-se vários fenômenos “típicos” da adolescência e suas descobertas: o uso de drogas, as práticas de masturbação, a leitura de revistas e livros eróticos, brincadeiras sexuais e brigas entre os meninos. As primeiras experiências sexuais se dão entre os próprios alunos ou com meninas da turma, ou com as mais velhas que cuidam do refeitório, de forma delicada, num progressivo desvelar-se que transita entre a excitação da curiosidade o medo e de serem descobertos. Apesar dos controles exercidos pelos professores, em especial pela figura do diretor, os jovens encontram formas alternativas de “burlar” as regras e de experimentar clandestinamente, as primeiras experiências da adolescência.

Em destaque, tem-se a história amorosa de dois garotos, Kim e Bo, que vivenciam essas experiências entre si. Bo vem das férias na praia, em que teve um contato amoroso com um amigo e trás as dúvidas e curiosidades sobre a sexualidade. Kim, filho do diretor da escola, mais novo que Bo e da maioria dos meninos, que tem contato com eles e, progressivamente vai entrando em contato com a sexualidade e com o amor. Aos poucos, vai-se delineando um jogo de sedução entre Bo e Kim, em que ambos experimentam o contato e a intimidade, de forma lúdica , por meio de brincadeiras.

Em paralelo à relação entre Kim e Bo, protótipo desse amor inocente, tem-se as formas dos outros jovens de vivenciar de forma mais explícita as descobertas da sexualidade, através de piadas e brincadeiras eróticas, forma essa fortemente reprimida pelo diretor, quando tenta expulsar um dos alunos responsáveis por prender fotos de revistas pornográficas nos banheiros e nos dormitórios.
Diante da postura autoritária do diretor da escola e do corpo docente, alguns alunos se unem num movimento de “greve”, recusando-se a freqüentar as aulas e organizando um movimento de protesto com faixas e com um documentário, tudo com o apoio de uma professora que adota uma visão mais liberal.

A coesão grupal se faz também presente no movimento de defesa de Bo, quando este é perseguido e humilhado por uma gangue de “meninos mais velhos”. Nesse conflito, o grupo sai em seu socorro. De forma subliminar, o sexo aparece reverenciado como uma forma de poder, quando, para pagar pelo crime de ter agredido Bo, um dos meninos da gangue é obrigado a beijar as nádegas de um dos meninos da escola, como forma de humilhação.

Todo esse movimento de greve garante a permanência do colega que seria expulso. Finalmente, quando do encerramento do ano letivo, os alunos encenam uma guerra, em que um deles morre baleado, seguida por um filme por eles preparado, em que a relação entre Kim e Bo ilustra o mandamento cristão “Amai ao próximo como a si mesmo”.

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Comentários

Realizado pelos cineastas Ernst Johansen e Lasse Nielsen, “Você Não Está Sozinho” é um bom drama do cinema dinamarquês do final dos anos 70. Sua trama gira em torno do desabrochar da sexualidade num grupo de jovens adolescentes que estudam num colégio interno da Dinamarca. Temas como uso de drogas, masturbação, leitura de revistas eróticas e brincadeiras sexuais estão presentes ao longo do filme.

Roteiro e direção pecam em alguns pontos, não chegando, entretanto, a prejudicar o bom desenvolvimento da história. Os jovens atores apresentam, de um modo geral, boas atuações, deixando-nos sem entender os motivos que os levaram a nunca mais participarem de outras produções cinematográficas. Só para citar os principais, os atores que fizeram os papéis de Bo, Kim, Ole e Aske continuam até hoje, 35 anos depois, com apenas esse filme em seus respectivos currículos.

CAA