Filmes por gênero

CÓPIA FIEL (2010)

Copie conforme
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Copia conforme (Itália)
Cópia certificada (Portugal)
Certified copy (USA, UK)
Pais: França, Itália, Bélgica
Gênero: Drama
Direção: Abbas Kiarostami
Roteiro: Abbas Kiarostami
Produção: Abbas Kiarostami, Nathanaël Karmitz, Marin Karmitz, Charles Gillibert, Angelo Barbagallo
Design Produção: Giancarlo Basili, Ludovica Ferrario
Fotografia: Luca Bigazzi
Edição: Bahman Kiarostami
Guarda-Roupa: Marzia Nardone, Elise Cribier-Delande, Agathe Wesolek
Maquiagem: Fabienne Robineau
Efeitos Sonoros: Dominique Vieillard, Grégory Noël
Efeitos Visuais: Rodolfo Migliari
Nota: 8.1
Filme Assistido em: 2011

Elenco

Juliette Binoche Elle
William Shimell James Miller
Jean-Claude Carrière Homem na praça de Lucignano
Agathe Natanson Mulher na praça de Lucignano
Gianna Giachetti Proprietária do Café em Lucignano
Adrian Moore Filho de Elle
Angelo Barbagallo O tradutor
Andrea Laurenzi O guia
Filippo Trojano O noivo

Prêmios

Festival Internacional de Cannes, França

Prêmio de Melhor Atriz (Juliette Binoche)

Indicações

Festival Internacional de Cannes, França

Prêmio Palma de Ouro (Abbas Kiarostami )

Festival Internacional de Valladolid, Espanha

Prêmio de Melhor Filme

Associação dos Críticos de Cinema de Washington DC

Prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira

Sinopse

James Miller é um escritor britânico de cerca de cinqüenta anos que chega à cidade de Arezzo, na Toscana, para dar uma palestra sobre o seu último livro, o qual é um ensaio sobre a validade das cópias dentro do mundo da arte. Na platéia, mostrando um grande interesse pelo tema, encontra-se Elle, uma jovem mulher francesa que tem uma galeria de arte na cidade e que esconde a dor de uma separação e também o peso de ter que educar, sozinha, seu filho adolescente. A chegada do garoto ao local, o qual se mostra bastante impaciente, a obriga a se retirar bem antes do evento chegar ao fim.

Mais tarde, Elle e Miller encontram-se na galeria dela, que se acha cada vez mais interessada em conhecer as teorias dele, já que pensa extremamente diferente em relação ao assunto. Ao se convidar para um café, Miller aceita a sugestão de Elle para irem de automóvel até Lucignano, uma comuna da província de Arezzo, desde que esteja de volta a tempo de pegar um trem que partirá às 9 horas da noite. Durante o passeio, Elle lhe pede para autografar quatro exemplares de seu livro, um dos quais destinado à irmã dela, cuja forma de pensar se assemelha muito à dele.

Uma vez em Lucignano, ela o leva a um museu a fim mostrar-lhe um quadro conhecido como “Cópia Original”. Segundo ela, a obra é a ilustração perfeita das idéias que ele defende em seu livro. A referida cópia é tratada como se original fosse. Miller questiona termos como original, genuíno, autêntico e similares.

Ao deixarem o museu, os dois vão finalmente a um Café. Lá, enquanto esperam ser servidos, Miller fala sobre como surgiu a idéia do livro, contando-lhe um episódio que presenciara em Florença, cinco anos atrás, que envolvia uma mãe e seu filho de uns oito anos. Os dois se achavam juntos à cópia da estátua de David, de Michelangelo, na Piazza della Signoria, próxima do Palazzo Vecchio. A mãe falava alguma coisa a respeito da estátua, mas não dizia ao filho que a original se achava na Galleria dell’Accademia. O garoto, entretanto, olhava para a estátua como se fosse uma genuína, original e autêntica obra de arte. Quando ele termina, Elle comenta que tal episódio lhe soa muito familiar.

Quando seu celular toca, Miller se levanta para atendê-lo fora do Café, enquanto a proprietária deste se aproxima de Elle para dizer-lhe que observava de longe o casal e que tinha certeza que eles eram muito felizes. Elle não corrige a tal senhora, passando a conversar como se realmente fosse casada com Miller, chegando inclusive a dizer que se ressente por ele trabalhar demais.

Ao deixarem o Café, Elle leva Miller até um local aonde quase que diariamente chegam casais para tirarem suas fotos de casamento, com as jovens em seus vestidos de noivas. Sem que Miller perceba, ela diz aos fotógrafos responsáveis que se acha ali com o marido para celebrar seu 15º aniversário de casamento. Uma vez tudo acertado, ela chama Miller para a foto comemorativa, mas este se nega a participar por acreditar que a fotografia registra apenas o momento de um sonho irreal e não um evento genuíno, autêntico. Já na rua, ele volta a tocar no assunto, ao afirmar que se negou a tirar a foto para não alimentar as ilusões dela. Ela ainda tenta convencê-lo de que se são ilusões, são doces ilusões. Ele lhe responde, no entanto, que quanto mais doce é o início, mais amarga é a realidade depois.

Uma nova discussão surge quando Elle procura ouvir a opinião dele sobre uma estátua que se encontra numa praça por onde passam. Para ela, a genialidade da obra reside na serenidade do rosto da mulher apoiado no ombro de um homem. Ela chega a pedir a opinião de um casal de idosos que se encontra no local. O senhor puxa Miller para um lado e, a sós, permite-se dar um conselho paternal ao dizer-lhe que tem idade para ser seu pai. Ato contínuo, o senhor afirma que a única coisa que sua mulher está querendo pedir-lhe é que ele caminhe ao seu lado com uma das mãos apoiada em seu ombro. Ao deixarem a praça em direção a um restaurante, Miller segue o conselho recebido, apoiando uma de suas mãos no ombro de Elle.

Ao chegarem ao restaurante, ela vai ao toalete para se produzir para ele, pintando-se com um batom de cor vermelha forte e colocando uns brincos lindos que havia trazido em sua bolsa. Em seguida, dirige-se à mesa onde Miller se encontra, não recebendo os elogios que esperava. Uma nova discussão surge entre os dois, agora envolvendo um cochilo que ela dera ao volante cinco anos atrás e o sono profundo em que ele caíra na noite anterior, aniversário de casamento dos dois. Como resultado, eles se retiram sem serem servidos.

Continuando a caminhada pelas ruas de Lucignano, os dois chegam a uma casa onde Elle se senta na pequena escadaria que dá acesso ao seu interior. Depois de tirar seus sapatos, ela pergunta a Miller se ele se lembra do hotel em que ficaram na noite de núpcias. Depois de olhar para as casas da vizinhança, ele aponta para uma delas, ela lhe responde que ele errou, mas que terá uma segunda chance. Enquanto ele se afasta um pouco para melhor olhar os arredores, ela rapidamente apanha seus sapatos, sobe os poucos degraus da casa em que se acha e pede para ir ao Quarto nº 9, alegando que nele passara sua noite de núpcias 15 anos atrás. Ao notar que Elle entrou na casa, Miller vai ao seu encontro, sendo informado pela portaria que ela se encontra no Quarto 9, no terceiro piso.

No quarto, ela tenta seduzi-lo, falando da noite que passaram ali, do travesseiro que ainda mantém o cheiro dele, do quanto eles poderão ser felizes se forem mais tolerantes um com o outro, etc. Ele, finalmente, a lembra que deverá estar na estação ferroviária de Arezzo às 9 horas da noite.

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Comentários

“Cópia Fiel” é um magnífico filme franco-ítalo-belga. Escrito e dirigido pelo grande cineasta iraniano, Abbas Kiarostami, sua trama gira em torno do relacionamento de um dia entre um escritor britânico que chega à Arezzo, na Toscana, para dar uma palestra sobre o seu último livro, e uma francesa que mantém uma galeria de arte na cidade.

Com um roteiro excelente, Kiarostami faz uma reflexão sobre cópia e original de uma obra de arte, a partir do princípio de que não deve se deixar enganar pelas aparências. No filme, ele procura exatamente puxar pela imaginação do espectador, tentando fazer com que este descubra o que ele está a contar sem, no entanto, ter que realmente mostrá-lo. Assim, em linha com a tese de James, o que conta no filme são os personagens Miller, Elle e, principalmente, a capacidade imaginativa do espectador, e não uma suposta obra "original" de arte.

No elenco, “Cópia Fiel” apresenta uma Binoche encantadora, no topo de sua brilhante carreira. Uma cena no restaurante de Lucignano, onde ela passa por toda uma gama de emoções, é sem dúvida um dos melhores momentos do filme. Algumas vezes, suas expressões faciais dizem mais que suas palavras. Contracenando com ela, William Shimmel, um mundialmente conhecido barítono de óperas, apresenta um ótimo trabalho como o escritor britânico, James Miller.

CAA