Filmes por gênero

O SILÊNCIO (1963)

Tystnaden
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Le silence (França, Bélgica)
El silencio (Espanha, México, Argentina)
The silence (USA, UK)
Il silenzio (Itália)
Das schweigen (Alemanha)
Pais: Suécia
Gênero: Drama
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro: Ingmar Bergman
Produção: Allan Ekelund
Design Produção: P.A. Lundgren
Música Original: Ivan Renliden
Fotografia: Sven Nykvist
Edição: Ulla Ryghe
Figurino: Marik Vos-Lund
Maquiagem: Börje Lundh
Efeitos Sonoros: Bo Leverén, Tage Sjöberg, Stig Flodin, Olle Jacobsson
Efeitos Especiais: Evald Andersson
Nota: 9.0
Filme Assistido em: 2009

Elenco

Ingrid Thulin Ester
Gunnel Lindblom Anna
Jörgen Lindström Johan
Birger Malmsten Barman
Håkan Jahnberg Garçom
Birger Lensander Porteiro
Eskil Kalling Proprietário do Bar
Nils Waldt O Caixa
Lissi Alandh Mulher no Variety Hall
Leif Forstenberg Homem no Variety Hall
Olof Widgren O Idoso

Sinopse

Primeiro Movimento
Depois de gozarem férias no exterior, Johan, sua mãe Anna e sua tia Ester viajam em um trem, retornando para a Suécia. Além do calor se achar insuportável, Ester não passa bem durante a viagem, de modo que elas decidem interrompê-la em Timoka, uma cidade da Estônia, onde se hospedam em um confortável hotel. Uma vez instalados, enquanto Anna se preocupa em se refrescar com um revigorante banho para, em seguida, dormir um pouco, Ester não para de beber e fumar enquanto lê um livro. Em seguida, desabotoa seu pijama e se masturba.

O barulho de aviões acorda Johan, que deixa o apartamento em que se encontra com a mãe, e passa a perambular pelos imensos corredores do hotel, até que encontra um grupo de anões pertencentes a uma trupe espanhola. Antes de entrar no quarto deles, Johan dispara três vezes seu revólver de brinquedo. Em contrapartida, os espanhóis o vestem com uma roupa de menina até que outro anão, que vira Johan pelos corredores, chega, repreende seus companheiros e acompanha o garoto até o corredor.

Enquanto isso, Anna deixa o hotel, para desespero de Ester, por sentir que mais uma vez perdeu o controle sobre a irmã. Em um Café, Anna observa um jovem garçom, mas decide ir a um teatro de variedades onde a trupe de anões está se apresentando. Uma vez lá, observa um casal fazendo sexo no camarote ao lado, deixando-a ao mesmo tempo fascinada e enojada. Ao sair do teatro, ela retorna ao Café onde, através de um olhar, transmite sua imediata necessidade para o jovem garçom.

Quando Anna volta ao hotel, Ester nota que o vestido dela se acha sujo e imagina o que a irmã andou aprontando. As duas discutem e, ao final, Anna exige que Ester deixe de espioná-la e insiste que precisa ficar um pouco sozinha.

Segundo movimento
No início da noite, Ester se encontra na janela de seu apartamento a observar o movimento da rua, enquanto seu rádio toca “As Variações Goldberg”, de Johan Sebastian Bach. Aproveitando esse pequeno momento de paz e compreensão, ela sugere que a irmã e o sobrinho partam naquela mesma noite, enquanto ela ficará mais alguns dias à espera de seu completo restabelecimento. Anna recusa a sugestão, aproveitando a oportunidade para explicar o porquê de ter chegado ao hotel com o vestido sujo: segundo ela, depois de ter visto um casal transando no camarote do teatro, voltou ao Café, de onde saiu com um jovem garçom para fazerem sexo deitados no chão do interior de uma igreja. Diante de tais revelações, Ester se mostra chateada, mas, ao mesmo tempo, parece ter gostado de tê-las ouvido. Quando a irmã, alegando o forte calor, decide voltar a sair, Ester tenta em vão dissuadi-la.

Como planejado, Anna encontra-se com o jovem garçom no próprio hotel. Depois de se beijarem, os dois entram em seu apartamento, tudo presenciado de longe por seu filho Johan. Este, desorientado, vagueia pelos corredores até voltar para seus cômodos, onde as emoções reprimidas jorram à superfície e ele corre, aos prantos, para os braços de Ester. Na ocasião, o garoto pede à tia que escreva algumas palavras na língua local, que ela vem traduzindo. Ester é uma competente escritora e tradutora, tendo passado todo o tempo em que se acha presa ao hotel, trabalhando em sua área.

Enquanto isso, no quarto ao lado, após o encontro amoroso, Anna e seu namorado estão "conversando", ou melhor, ela está expressando seus pensamentos em voz alta, uma vez que os dois não conseguem se comunicar verbalmente, já que um não fala a língua do outro. Ao ouvir Ester soluçar à sua porta, querendo entrar, Anna a abre e descarrega todos os seus ressentimentos reprimidos em sua irmã. Esta se retira quando o namorado volta a tomar Anna em seus braços.

Terceiro Movimento
Na manhã seguinte, no quarto de Ester, antes de sair com o filho para o café-da-manhã, Anna comunica à irmã que ela e Johan estarão seguindo para a Suécia no trem das 14 horas. Uma hora se passa e Ester, deitada em sua cama, acha-se furiosa porque os dois ainda não voltaram. Desesperada, inicia um monólogo que provoca um terrível espasmo. O velho porteiro faz o melhor para ajudá-la em seu socorro. Ele percebe que ela está morrendo, mas por falta de conhecimento da língua, não tem como dirigir-lhe uma palavra de conforto. Quando Anna e Johan voltam para pegar suas bagagens, o garoto corre até a cama onde a tia se encontra, receoso que ela se ache morta. Ester consegue abrir os olhos, dizer-lhe que está bem e entregar-lhe uma carta a ele dirigida. Já Anna, não se despede da irmã.

Já no trem, Johan abre a carta da tia, intitulada: “Para Johan: Palavras em Língua Estrangeira”.

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Comentários

“O Silêncio” é mais um extraordinário filme do fabuloso mestre do cinema sueco, Ingmar Bergman. Na realidade, ele é o terceiro filme da trilogia de Bergman sobre “a fé”, ou “o silêncio de Deus”, precedido por “Através de um Espelho”, o melhor dos três, e por "Luz de Inverno". Sua trama gira em torno de diversos temas, dos quais se destaca o da impossibilidade de se comunicar de uma forma geral.

Fascinante, às vezes perturbador, sem imagens chocantes, gritando através do silêncio, cada cena é algo visualmente deslumbrante. Além da genialidade de Bergman, o trabalho de câmera de Sven Nykvist é excepcional.

As mulheres de Bergman, aqui representadas pelas magníficas atrizes Ingrid Thulin e Gunnel Lindblom, brilham como sempre. Elas interpretam duas irmãs, cuja aparente relação incestuosa as destruiu: Esther, fisicamente, e Anna, mentalmente.

Enfim, “O Silêncio” é mais um filme imperdível desse genial cineasta.

CAA