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UMA BARRAGEM CONTRA O PACIFICO (2008)

Un barrage contre le Pacifique
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Ficha Técnica

Outros Títulos: The Sea Wall (Título Internacional)
Pais: França, Bélgica, Cambodja
Gênero: Drama
Direção: Rithy Panh
Roteiro: Rithy Panh, Michel Fessler
Produção: Catherine Dussart, Cati Couteau
Design Produção: Yan Arlaud
Música Original: Marc Marder
Fotografia: Pierre Milon
Edição: Marie-Christine Rougerie
Figurino: Edith Vesperini
Guarda-Roupa: Marie Rospabe
Maquiagem: Judith Gayo
Efeitos Sonoros: Pierre Mertens, Thomas Gauder, Marc Bastien
Efeitos Especiais: Charles-Axel Vollard
Efeitos Visuais: Benjamin Ageorges, Stephane Bidault
Nota: 7.6
Filme Assistido em: 2010

Elenco

Isabelle Huppert A mãe
Gaspard Ulliel Joseph
Astrid Berges-Frisbey Suzanne
Randal Douc Sr. Jo
Vanthon Duong Cabo
Stéphane Rideau Agosti
Lucy Harrison Carmen
Vincent Grass Bart
Doeun Thenn Nan Sr. Khing
Louis Arsac Pierre
Ingrid Mareski Mulher de Pierre
Chorn Solyda Pai Sok
Rosa Meas A'chan
Mang Son A'sok
Phén Vann Chefe da Vila
Jean-Pol Brissart Sr. Bideau
Samuel Bartholin Sr. Jouve
Cédric Salze Agente do Registro de Terras
Philippe Garcia Capitão francês
Emmanuel Collineau Sargento francês
Sophie Provoost Mulher francesa elegante
Reaksmei Sorya Mulher de Cabo
Chantoun Kien Motorista do Sr. Jo

Sinopse

Indochina Francesa, 1931. No Golfo do Sião, uma viúva e seus dois filhos, Joseph, de 20 anos, e Suzanne, de 16, mal conseguem sobreviver, explorando campos de arroz situados muito próximos ao mar. Todos os anos, suas culturas são inundadas e sua única esperança reside na construção de uma sólida barragem. Ao filho, ela informa que a barragem existente se rompeu na noite anterior, o mar invadiu os campos de arroz e a colheita está totalmente perdida. Joseph e Suzanne só pensam no dia em que poderão ir embora dali, o que desgosta sua mãe.

À noite, contrariando a vontade da mãe, Joseph sai para caçar. No restaurante badalado do local, a viúva avista o Sr. Bideau, vai até ele tentar conseguir alguma ajuda bancária, mas ele lhe diz que ela precisará estar com toda a documentação exigida pelo Banco, para depois procurá-lo. Para piorar sua situação, na manhã seguinte, ela é procurada por dois agentes do Registro de Terras, os quais a lembram que, se toda a concessão não for cultivada após um ano, a mesma não será renovada. Joseph surge com um rifle a dar tiros para o ar, assustando os dois agentes, que vão embora. Sua mãe admite que deveriam ter usado estacas, troncos, qualquer coisa forte o suficiente para segurar a maldita maré.

A dezenas de trabalhadores igualmente prejudicados com a invasão do mar e ameaçados pelos agentes do Registro de Terra, ela diz que, juntos, poderão recuperar centenas de hectares da planície. Mas eles terão que ajudá-la a reconstruir a barragem com troncos. Os serviços são iniciados quase que imediatamente.

O Sr. Jo, um jovem de posses, lhe dá uma carona até a casa dela. Na realidade, é uma forma que ele acha para se aproximar de Suzanne, por quem se sente apaixonado. Ao vê-lo chegar, a jovem, que se achava tomando banho de mar, volta pra casa a fim de trocar de roupa. Aproveitando que a mãe e o irmão dela trabalham do lado de fora, o Sr. Jo entra na casa e, ao chegar à entrada do quarto de Suzanne, bate na porta e lhe pede para vê-la nua só por um segundo. Ela se nega a fazê-lo, mas ele insiste dizendo-lhe ser louco por ela e prometendo-lhe não tocá-la. Ele lhe promete um gramofone do último modelo. Suzanne finalmente abre a porta, mostra os seios e rapidamente volta a fechá-la, dizendo-lhe que ele é uma pessoa muito baixa.

No terraço da casa, a mãe escreve uma carta para o Governador da Colônia, pleiteando a concessão definitiva dos 25 hectares de terra, junto ao mar, onde se acha seu bangalô. Aproveita para lembrá-lo ser viúva de um cidadão honrado que a deixou com duas crianças, agora com 19 e 16 anos.

No dia seguinte, o Sr. Jo retorna com o gramofone prometido. Sentindo-se humilhado, ele vai embora quando Suzanne coloca um disco e chama o irmão para dançar. Ao se encontrar com a mãe da jovem, ele lhe diz que tem muito respeito pela filha dela, mas ela o acha um oportunista, um interesseiro.

Pouco tempo depois, a viúva recebe uma carta comunicando-lhe que lhe foi dada a concessão dos lotes 145, 146 e 147 de Prey Nop, por mais um ano. De posse do documento, ela volta a procurar o Sr. Bideau, numa tentativa de conseguir os recursos de que precisa para tocar sua plantação de arroz. Ela os consegue, deixando o seu bangalô hipotecado.

Numa clara manobra para expulsar os pobres trabalhadores rurais de suas terras, o governo colonial manda incendiar suas aldeias, fazendo com que os nativos deixem tudo para trás e procurem se refugiar na barragem.

Enquanto isso, o Sr. Jo presenteia Suzanne com um anel de diamante. Acreditando tratar-se de uma jóia de 20.000 francos, o dobro do valor da hipoteca, Joseph e sua mãe voltam ao restaurante freqüentado pelas pessoas abastadas do local, à procura de Bart, para tentar vender a jóia, mas este lhes oferece apenas 5.000 francos, alegando a existência de uma pequena impureza na mesma. O negócio não é fechado e, depois que sua mãe volta para casa, o jovem seduz uma bela mulher que chega ao local, conseguindo dela os 20.000 francos desejados. Logo a seguir, ao conversar com uma amiga, Carmen, esta lhe confidencia que a tal mulher freqüenta com assiduidade o Bar do Continental, em Saigon. Joseph viaja para lá, voltando depois de algum tempo com o anel, ocasião em que comenta com a mãe que poderão vendê-lo novamente.

A dama de Saigon vem de automóvel buscar Joseph, que se despede da mãe dizendo-lhe que essa experiência que vai fazer é por algum tempo. Dias depois, ela recebe uma carta do filho, na qual comunica que conseguiu um bom emprego, como guia turístico em excursões através da floresta.

A falta do filho preferido faz com que a viúva sinta-se cada vez mais deprimida, passando muito tempo deitada em sua cama. Certo dia, ela diz para Suzanne que a filha deveria ir para longe dali, talvez viver perto de Joseph. Em seguida, entrega à filha o anel de diamante e a aconselha a vendê-lo, alegando que o dinheiro da venda irá ajudá-la a recomeçar sua vida.

Com a morte da mãe, Joseph vem para as cerimônias fúnebres e, em seguida, retorna para sua vida em Saigon. Suzanne, sozinha, caminha por entre suas plantações de arroz...

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Comentários

Baseado num livro de Marguerite Duras, “Uma Barragem Contra o Pacífico” é uma boa co-produção franco-belga-cambojana. Realizada pelo cineasta cambojano Rithy Panh, sua trama gira em torno da luta travada por uma viúva para sobreviver, juntamente com seu casal de filhos adolescentes, na Indochina francesa do início dos anos 30.

O ritmo impresso por Panh mostra-se às vezes um pouco lento. A história procura retratar as autoridades coloniais francesas como corruptas e opressivas, dando assim, ao filme, um caráter anticolonialista. Por outro lado, o filme lembra um pouco “O Amante” (1992), de Jean-Jacques Annaud, também passado na Indochina dos anos 30 e envolvendo uma relação entre uma jovem francesa pobre e um rico chinês. A diferença é que, ao contrário deste, “O Amante” abordava uma relação muito erótica entre o casal.

Tecnicamente, não há nada de extraordinário a comentar. No elenco, ao contrário da maioria de seus personagens, vemos a grande Isabelle Huppert desempenhando o papel de uma mulher cruel, exploradora, com seus olhos mortos, sem expressão.

CAA