Filmes por gênero

TRÁGICA SEPARAÇÃO (1970)

La rupture
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Ficha Técnica

Outros Títulos: All'ombra del delitto (Itália)
A ruptura (Portugal)
The Breach (USA, UK)
Der Riß (Alemanha)
Pais: França, Itália, Bélgica
Gênero: Drama, Suspense
Direção: Claude Chabrol
Roteiro: Claude Chabrol
Design Produção: Françoise Hardy, Guy Littaye
Música Original: Pierre Jansen
Fotografia: Jean Rabier
Edição: Jacques Gaillard
Guarda-Roupa: Dany Rayet
Maquiagem: Louis Bonnemaison, Maud Begon
Efeitos Sonoros: Guy Chichignoud, Jacques Eippers, Alex Pront
Nota: 8.3
Filme Assistido em: 2008

Elenco

Stéphane Audran Hélène Régnier
Jean-Pierre Cassel Paul Thomas
Michel Bouquet Ludovic Régnier
Jean-Claude Drouot Charles Régnier
Laurent Brunschwick Michel Régnier, filho de Hélène e de Charles
Angelo Infanti Dr. Blanchard
Annie Cordy Madame Pinelli
Jean Carmet Henri Pinelli
Katia Romanoff Elise
Michel Duchaussoy Allan Jourdan, advogado de Hélène
Mario David Gérard Mostelle
Catherine Rouvel Sonia, amante de Paul
Dominique Zardi Vendedor de balões
Marguerite Cassan Emilie
Margo Lion Mme. Humbert
Claude Chabrol Passageiro de um bonde

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Hélène Régnier vive com o marido, Charles, e o filho Michel de quatro anos de idade. Certa manhã, ao se levantar, é duramente espancada pelo marido, que se acha drogado. O pequeno Michel, assustado com a cena, corre em direção à mãe, mas é também alvo da agressividade de Charles, que o pega e o joga contra um móvel da sala. Em defesa do filho, ela pega uma panela e parte para cima do marido, deixando-o desacordado no chão. Em seguida, com a ajuda de uma vizinha, leva Michel a um hospital.

Depois que o filho é examinado, Hélène toma conhecimento que ele teve uma perna quebrada e traumatismo craniano, porém não tão grave. Decidida a não ficar longe de Michel, por indicação do Dr. Blanchard, ela consegue alugar um quarto numa pensão localizada defronte ao hospital.

Ainda no hospital, é ouvida por policiais que a procuraram por denúncia de seu sogro, Sr. Ludovic Régnier, um bilionário empresário, que a acusou de ter batido no marido e no filho. O Sr. Ludovic, que nunca aceitou o casamento deles, quer aproveitar o incidente para tentar conseguir o divórcio de Charles e a guarda do pequeno Michel.

Em sua casa, o Sr. Ludovic pede a seu advogado que consiga a guarda de seu neto. Este, entretanto, lhe avisa que para retirar a custódia da mãe, teriam que provar na justiça ser ela louca, criminosa, alcoólatra ou portadora de uma doença incurável. Ele insiste que está disposto a tudo para conseguir seu intento, o que faz com que seu advogado lhe aconselhe a ser menos radical.

Enquanto isso, acompanhada pelo Dr. Allan Jourdan, advogado indicado por sua vizinha, Hélène vai até sua casa para apanhar alguns pertences pessoais e, no caminho, lhe fala sobre toda sua vida, desde o tempo em que morava com os pais em Fontainebleau, passando inclusive pelos três meses em que trabalhou como stripper para manter sua casa. Com relação a Charles, ela conta que se casaram três meses depois que se conheceram, o que levou o Sr. Ludovic a fazer de tudo para separá-los. Continuando, diz que os problemas só começaram quando o marido se iniciou nas drogas, fato que o Sr. Ludovic atribui à sua influência. Finalmente, afirma para o Dr. Jourdan que tem a mais absoluta certeza que Charles ainda os ama e que sua agressão deveu-se única e exclusivamente aos efeitos da droga.

Em sua casa, o Sr. Ludovic faz uma proposta a Paul Thomas, um antigo amigo de Charles, sem escrúpulos, que agora se acha na pior, completamente falido. Em troca de evidências que lhe permitam tirar o neto da guarda de Hélène, o vigarista ocupará um cargo gerencial em uma de suas empresas.

Na manhã seguinte, fazendo parecer um encontro casual, Paul aproxima-se de Hélène dizendo-se amigo de Charles e lhe perguntando se ela não se recorda dele. Convidando-a para um cafezinho, no Bar do Hospital, ele lhe conta que acabou de receber alta, após ter sido submetido a uma cirurgia grave, mas que vai ter que voltar a cada dois dias para atender a um tratamento pós-operatório, o que é para ele um problema por morar bastante longe dali. Com base em sua experiência, Hélène lhe sugere que procure a pensão da Sra. Pinelli, onde ela se acha hospedada.

Uma vez lá, dizendo-se um grande amigo do marido de Hélène, Paul procura difamá-la junto à proprietária e a alguns hóspedes, com o fim de denegrir sua imagem. Por outro lado, ao voltar ao hospital para mais uma visita de rotina ao seu filho, Hélène conversa com o Dr. Blanchard sobre a saúde de Paul que, segundo ela, teria passado por uma grave cirurgia. Para sua surpresa, o médico lhe diz que Paul nunca foi cliente do Hospital e que, segundo pôde observar, ele é extremamente saudável.

De volta à pensão, Hélène é procurada por Gérard Mostelle, um ator de cinema e teatro que também mora lá, que lhe diz estar muito incomodado por ter sido extremamente insultado pelo Sr. Ludovic. Continuando, diz que ao procurá-lo para tentar conseguir um financiamento para uma de suas produções, recebeu a garantia do financiamento desde que a espionasse e a transformasse na fofoca da cidade, o que para ele seria inaceitável, pois jamais venderia sua honra pelo sucesso.

Ao ouvir uma conversa do Dr. Jourdan sobre a possibilidade do divórcio sair em dois a três dias, Paul dá um sonífero à Elise, filha adolescente e deficiente dos proprietários da pensão, e a leva adormecida até a casa de Sônia, sua amante. Quando a jovem se acorda, os dois passam um filme pornô durante o qual, nua e sempre sendo chamada de Hélène, Sônia abusa da adolescente, desabotoando sua blusa e acariciando seus pequenos seios. O plano tem por finalidade fazer com que, através de Elise, Hélène passe a ser considerada uma pervertida.

Conforme combinado, tão logo Paul retorna à pensão, Hélène recebe um telefonema de Sônia, se passando por uma sobrinha da Sra. Rousselet, sua amiga, dizendo que a tia vai chegar de viagem dentro de poucas horas e que a mesma gostaria que Hélène fosse até o aeroporto para recebê-la. Paul imediatamente se oferece para levá-la ao aeroporto, mas ela recusa sua oferta. O plano dele consiste em deixá-la inconsciente, bater com o carro em alguma árvore, colocá-la no volante e trazer Elise, que ainda se acha desacordada nos pés dos bancos trazeiros, para o banco do carona, fugindo em seguida. Ao voltar a insistir junto à Hélène para levá-la ao aeroporto, esta lhe diz que já descobriu que ele está a espionando a mando de seu sogro. Sem saída, ele se mostra arrependido e lhe oferece uns docinhos para selarem a paz entre os dois, docinhos esses que contêm uma alta dose de soníferos. Decidida, ela apanha um táxi e segue para o aeroporto. Na porta do desembarque, depois de esperar bastante tempo pela amiga, descobre que o vôo que lhe informaram por telefone simplesmente não existe.

Aborrecida com essa constante perseguição por parte do Sr. Ludovic, Hélène toma um táxi e segue para a casa de seus sogros, a fim de ver Charles. Este lhe pede perdão, diz que as crises ainda voltam em menor intensidade, e que deixou de usar drogas. Quando o Sr. Ludovic aparece para reclamar de sua presença ali, Hélène lhe cobra 400 francos que lhe foram roubados por Paul e, em seguida, vai embora.

Charles, não suportando mais a falta de sua esposa, decide ir ao seu encontro. Sua mãe tenta impedi-lo, mas é por ele arremessada escada a baixo. Ao chegar à pensão, entretanto, é assassinado por Paul, que alega legítima defesa. Hélène, que havia passado mal após tomar um suco servido por Paul, ao melhorar sai para mais uma visita ao filho Michel.

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Comentários

Baseado no livro “Le Jour des Parques” de Charlotte Armstrong, “Trágica Separação” é para mim um dos melhores filmes do cineasta francês, Claude Chabrol. Sua trama gira em torno de uma jovem mulher que, após ter seu filho de quatro anos e ela própria, barbaramente espancados, pelo marido drogado, luta com todas as suas forças contra o seu poderoso sogro, que a quer ver afastada do filho e sem a guarda do neto.

Além de ser o roteirista, Chabrol dá um banho de competência como diretor dessa produção que nos faz lembrar o velho Hitchcock. O suspense, às vezes angustiante, prende a atenção do espectador até a última cena que, pelo menos no meu caso, foi completamente inesperada, embora amparada pelo próprio título do filme. Além de procurar mostrar como, muitas vezes, as aparências enganam, a trama enfatiza o poder destrutivo do dinheiro e das convenções sociais. No filme, por exemplo, o fato de Hélène ter trabalhado como stripper pode associá-la a uma prostituta, quando na realidade se trata de uma mulher respeitável, de caráter. Por outro lado, o Sr. Ludovic, seu sogro, um influente e bilionário empresário, está sempre pronto para jogar sujo de forma a ter as coisas à sua maneira.

No elenco, Stéphane Audran, no papel da lutadora Hélène Régnier, é de longe o maior nome a ser destacado.

CAA