Filmes por gênero

MEU FILHO PARA MIM (2006)

Mon Fils à Moi
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Mi hijo (Espanha, Argentina)
Pais: Bélgica, França
Gênero: Drama
Direção: Martial Fougeron
Roteiro: Martial Fougeron, Florence Eliakim
Produção: Pascal Caucheteux, Frédéric Niedermayer
Design Produção: Éric Barboza
Música Original: Fabrice Dumont, Frédéric Fortuny
Coreografia: Valérie Plazenet, Roland D'Anna
Fotografia: Giorgos Arvanitis
Edição: Laurence Briaud
Figurino: Nathalie Raoul
Guarda-Roupa: Sandrine Alabre, Caroline Tavernier
Maquiagem: Thi Thanh Tu Nguyen
Efeitos Sonoros: Olivier Le Vacon, Jean-Philippe Callet, Olivier Busson e outros
Nota: 7.5
Filme Assistido em: 2008

Elenco

Nathalie Baye A mãe
Victor Sévaux Julien
Olivier Gourmet O pai
Marie Kremer Suzanne
Emmanuelle Riva A avó
Michèle Moretti A provedora
Valentine Stach Alice
Thomas Silberstein Sam
Nicole Gros A pasteleira
Maxime Monsimier Colega de Julien
Julien Oracz Colega de Julien
Ludmila Ruoso Policial
Sébastien Guisset Policial
Esteban Challis Policial

Prêmios

Festival Internacional de San Sebastián, Espanha

Prêmio Concha de Ouro (Martial Fougeron)

Prêmio Concha de Prata de Melhor Atriz (Nathalie Baye)

Sinopse

Julien é um jovem adolescente de 14 a 15 anos que mora com seus pais e sua irmã mais velha, Suzanne. Sua mãe é uma mulher autoritária, de uma agressividade quase sádica e com um caráter por vezes com características de uma perigosa psicopata. Toda a sua crueldade é voltada contra Julien, não o deixando sossegado. Curiosamente, às vezes ela dá uma ligeira trégua e faz com que eles dancem juntos, na sala de estar, ou brinquem com uma bola no quintal.

Com certa freqüência, ela vai ao colégio do filho para saber suas notas e, ao voltar, o obriga a ficar preso no quarto para estudar, cortando inclusive uma das coisas que mais agrada ao garoto: exercitar-se em seu piano.

Certo dia, após tomar seu costumeiro banho, Julien entra em seu quarto para trocar de roupa. Logo depois, a mãe abre a porta e o encontra nu. O susto faz com que o garoto cubra a genitália com as mãos, mas ela parte para cima dele exigindo que o filho retire as mãos, pois não tem medo de pinto pequeno.

Na escola, o garoto tem uma namoradinha, Alice. Quando sua mãe encontra uma carta de Alice para o filho, fica uma fera e procura Suzanne para verificar se a filha sabe alguma coisa a respeito. A jovem afirma-lhe desconhecer qualquer detalhe sobre o assunto e, em seguida, vai ao encontro do irmão para preveni-lo sobre o ocorrido.

No dia em que toma conhecimento que o filho tem um compromisso na tarde do domingo com a equipe de futebol do colégio, ela exige que ele invente uma mentira para faltar ao compromisso e poder sair com ela para uma piscina. Alegando que não se deve mentir, Julien tenta livrar-se da idéia da mãe, mas a pressão que recebe é tamanha que ele termina cedendo aos seus caprichos.

Um dos programas que mais agradam ao jovem é ir para a casa da avó materna, onde os dois passam horas felizes ao piano ou conversando alegremente. Numa dessas vezes, ao voltar para casa com um casaco que a avó lhe dera, Julien é mal recebido pela mãe que o proíbe de usar o presente que ganhara. Num outro dia, ao chegar em casa com um chocolate que comprara para a mãe, com a mesada que recebera do pai, Julien é mais uma vez recebido por sua fúria que, além de insultá-lo, joga o presente no lixo.

Suzanne procura a mãe para conversar sobre Julien, por não achá-lo bem. É, como sempre, mal recebida com as palavras de que tal assunto não diz respeito à jovem. Suzanne contra-argumenta dizendo que Julien é seu irmão e que, por conseqüência, o assunto também lhe diz respeito. Mesmo assim, não consegue conversar com a mãe.

No dia seguinte, o jovem volta a se encontrar com Alice, oportunidade em que esta pergunta se ele já conversou com a mãe sobre os dois. Com vergonha, Julien responde-lhe que sim, muito embora não seja verdade. Na conversa, Alice lhe diz que acha a mãe dele uma pessoa muito estranha.

Continuando preocupada com o irmão, Suzanne procura o pai, dizendo-lhe que a mãe acha-se obcecada com as aulas de Julien, mas não consegue convencê-lo, que lhe diz ser uma pessoa muito ocupada com seu trabalho e que tem a mais absoluta confiança na mulher.

Ao tomar conhecimento que Julien não está indo bem na escola, sua mãe lhe proíbe de ver seus amigos e cancela suas aulas de piano. Assim, acabam suas saídas, os encontros, o futebol e as visitas à avó que o garoto tanto ama. Sentindo que algo não vai bem, a avó vai até a casa da filha, mas esta se nega a abrir a porta da casa para a mãe. À noite, embora sua irmã tente fazer com que ele desista, Julien sai escondido em sua bicicleta e vai à festa de aniversário de Alice. Minutos depois de chegar lá, Suzanne telefona para avisá-lo que sua mãe está indo buscá-lo e que é melhor que ele deixe a festa antes que ela chegue. No caminho de volta para casa, ele se depara com o carro da família. Sua mãe salta do veículo, o esbofeteia fortemente e o joga dentro do carro, largando a bicicleta na estrada. Uma vez em casa, sua fúria continua firme, com socos e tapas no rosto do adolescente. O pai, perdendo a paciência, dá uma bofetada no rosto da mulher, mas logo em seguida pede-lhe muitas desculpas. Julien é colocado de castigo, imóvel, por tempo indeterminado.

Suzanne consegue aprovação do pai para ir morar no campus da universidade que freqüenta. Ao tomar conhecimento que sua sogra está muito mal, o pai de Julien pede à esposa que a mãe dela está precisando de suas atenções. Ela, entretanto, não toma qualquer providência.

Depois de dois meses morando no campus da Universidade, Suzanne volta à casa dos pais para comemorar seu aniversário. Uma vez lá, ela comenta com o irmão que ficou muito chateada por não ter podido comparecer ao sepultamento da avó. Julien diz que também não foi porque a mãe só falou do falecimento dela depois de ocorrido o enterro.

No dia seguinte, ao voltar para casa, a mãe encontra três policiais conversando com seu marido. Eles afirmam que estão ali porque Julien os chamou dizendo que pretendia se suicidar porque a mãe não parava de espancá-lo. Ela diz aos policiais que foi apenas um tapa que uma mãe nervosa dá em um filho, mas que tudo já está bem. Mesmo assim, uma policial pede licença para conversar com Julien a sós, ocasião em que o adolescente afirma que foi a primeira vez que sua mãe lhe bateu, mas que realmente não tem mais nada a reclamar.

Na manhã seguinte, a mãe descobre um casaco azul que o filho havia ganho da avó e o procura para tomar satisfações. Julien nega-se a respondê-la, sendo agredido com murros e pontapés. Ao sentir que a mãe vai rasgar o casaco, ele a ameaça com uma faca. Entretanto, não acreditando que o filho tenha coragem de esfaqueá-la, ela parte para cima dele aos gritos e termina seriamente ferida.

Uma ambulância é chamada e a leva para a urgência de um hospital, onde ela é atendida. Lá, é verificado que o caso poderia ter sido bem mais grave, já que a senhora não corre risco de vida. Quando ela finalmente consegue falar, afirma que não guarda qualquer rancor em relação ao filho.

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Comentários

“Meu Filho para Mim” é uma boa produção franco-belga. Realizada pelo cineasta Martial Fougeron, que também participa da elaboração do roteiro, sua trama gira em torno da relação de uma mãe extremamente autoritária com seu filho caçula recém entrado na adolescência.

A direção de Fougeron é consistentemente boa, no que é ajudada pela magnífica atuação de Nathalie Baye, seguida pela do jovem Victor Sévaux, este no papel de Julien. Baye consegue incorporar, com raríssima perfeição, o caráter de uma mãe desprovida de qualquer humanidade, uma mulher doente. Embora a gente se prenda à crueldade com que sua personagem trata o filho, na realidade sua postura junto ao marido e à filha também é regida por atitudes de uma pessoa altamente agressiva e dominadora.

Enfim, “Meu Filho para Mim” procura mostrar a violência que reina hoje em dia no seio de muitas famílias e que só chega ao conhecimento público quando estampada, em manchetes de jornais, ao ocorrer e ser descoberta uma tragédia.


CAA