Filmes por gênero

BETTY - UMA MULHER SEM PASSADO (1992)

Betty
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Бети (Bulgária)
Pais: França
Gênero: Drama
Direção: Claude Chabrol
Roteiro: Claude Chabrol
Produção: Marin Karmitz
Design Produção: Françoise Benoît-Fresco
Música Original: Matthieu Chabrol
Direção Musical: Laurent Petitgirard
Fotografia: Bernard Zitzermann
Edição: Monique Fardoulis
Figurino: Christine Guégan
Guarda-Roupa: Sabrine Kamina
Efeitos Sonoros: Jean-Bernard Thomasson, Maurice Gilbert, Gadou Naudin e outros
Nota: 8.5
Filme Assistido em: 1993

Elenco

Marie Trintignant Betty Etamble
Stéphane Audran Laure Levaucher
Jean-François Garreaud Mario
Yves Lambrecht Guy Etamble
Christiane Minazzoli Madame Etamble
Pierre Vernier Médico
Nathalie Kousnetzoff Odile Etamble
Pierre Martot Frédéric Etamble
Thomas Chabrol Schwartz, estudante de medicina e amante de Betty
Yves Verhoeven Philippe, músico de jazz e amante de Betty
Mélanie Blatt Thérèse
Brigitte Chamarande Odette
Raoul Curet Tabelião
Julie Marboeuf Elda, a babá
Jean-Marc Roulot Florent, advogado de Guy Etamble
Jean-Michel Noiret Tio de Betty
Emmanuelle Bataille .
Colette Charbonneau .
Patrick Moreau .
Catherine Deville .
Michel Dupuy .
Cécile Reigher .

Prêmios

Festival Internacional de Cinema de Taormina, Itália

Prêmio de Melhor Atriz (Marie Trintignant)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Em um bar de Paris, Betty, bêbada, perdida, deixa-se levar por um médico. Eles vão à Versalhes, ao “Trou”, um restaurante onde os clientes têm um ar excêntrico e a olham de modo estranho. Entre eles, Laure, uma mulher madura, amante de Mario, proprietário do restaurante, vem em seu auxílio, ajuda-a a ficar sóbria, a aloja em seu hotel de luxo, torna-se sua amiga e rapidamente compreende como Betty, julgada uma mãe indigna por sua família, perdeu a guarda dos filhos e chegou àquele ponto. Laure também rompeu com os seus, igualmente grandes burgueses. Como Betty, ela também encontrou refúgio no álcool.

Na manhã seguinte, Laure providencia um bom banho e um café-da-manhã reforçado para Betty. Na ocasião, esta conta para Laure como foi sua vida em criança, mostrando inclusive uma foto do pai, morto no Marrocos, quando ela tinha apenas oito anos. Sobre a mãe, diz que se tratava de uma mulher sem coração, que a entregou para morar com uma tia, período em que flagrou o tio tendo relações com Thérèse, uma arrumadeira adolescente de 15 anos. Ela fala ainda de sua primeira gravidez, quando todos a cercavam de cuidados e carinho, mas que, para sua tristeza, verificou que todo aquele amor demonstrado não era para ela e sim para Charlotte, sua filha. O pior foi que ela passou a ser ignorada por todos, como se qualquer mulher pudesse ter feito a parte dela. Vivendo num clima como esse, ela comenta que teve amantes antes e durante o casamento.

Certo dia, seu marido Guy e sua sogra vão ao teatro, deixando-a com as crianças. Quando estas vão dormir, Betty telefona para Philippe, um saxofonista, e o chama para vir à sua casa. Não se sentindo bem, sua sogra e Guy retornam bem antes da hora prevista, encontrando-a a fazer amor com o saxofonista em pleno sofá da sala. Na ocasião, ela é obrigada a redigir um documento, no qual reconhece seu erro, bem como, renuncia à tutela das crianças, e ao direito de vê-las. Em troca, é-lhe garantido que não passará por quaisquer privações financeiras. Ela deixa a mansão logo a seguir, sem ao menos poder dar uma última olhadela nas crianças que dormem.

Laure, por sua vez, resolve contar para a nova amiga como foi sua vida. Inicialmente, diz que durante 28 anos foi uma mulher feliz de classe média. Seu marido e sua casa em Lyon eram o seu mundo. Se tivesse filhos, com certeza não estaria ali. Em seguida, diz que ao ficar viúva, sair de Lyon salvou sua vida. Antes de vir para Versailles, ela começou a beber muito. Aqui, ela conheceu seu amante Mario, um homem que parece durão, e que a maioria dos clientes pensa que ele esteve na prisão. Continuando, diz que, antes de vir para Versailles, Mario foi proprietário de uma plantação de cacau na Colômbia e que viajou também pela Venezuela e Panamá. Ao chegar à Versailles, comprou o “Trou”, construindo em seguida uma pequena clientela.

A relação entre Laure e Betty torna-se forte, a mais jovem fascinada pelo aparente equilíbrio da outra. Entretanto, certa noite, quando Mario vem, como de costume, ao encontro de Laure, esta lhe pede para que ele dê uma olhadela no quarto de Betty, a fim de verificar se esta está dormindo. Acordada, os dois fazem um sinal de conivência, deixando claro que ambos estão a fim um do outro. Para Laure, Mario diz que Betty se acha no mais profundo sono.

No dia seguinte, Guy chega ao hotel a fim de ter uma conversa com Betty. Esta pede à Laure, que atendeu ao interfone, que diga ao marido que dentro de uma meia-hora irá falar com ele no térreo. Na conversa que têm, Guy lhe diz que pensa muito na situação das crianças e também na dela. Como o problema envolve várias pessoas, ele quer que ela volte para casa, mas que antes passe uma temporada com a mãe dele em Lyon. Comovida, Betty agradece-lhe pelo seu gesto e pede-lhe que apresente também à sua mãe os seus agradecimentos. Continuando, diz a Guy que não se acha preparada para essa volta.

Ao subir, de volta aos seus aposentos, Betty é procurada por Laure que lhe informa estar indo à Paris para se encontrar com seu banqueiro e com o seu contabilista. Antes de partir, Laure lhe diz que, se precisar de alguma coisa, ela deverá recorrer a Mario. Minutos depois da partida de Laure, Betty e Mario já estão na cama a fazerem amor. No final do dia, quando a amiga retorna, os dois ainda se acham no quarto a portas trancadas.

Eles decidem deixar o hotel juntos, sendo observados por Laure, de sua janela. Sentindo-se uma pessoa derrotada, Laure parte sozinha de volta à Lyon. Pouco tempo depois, na cidade, a mãe de Guy comenta com uma amiga sobre a morte prematura de Laure aos 49 anos.

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Comentários

Baseado num romance de Georges Simenon, “Betty – Uma Mulher Sem Passado” é mais um ótimo filme de Claude Chabrol, um dos mais destacados nomes da “nouvelle vague” francesa. Trata-se de um drama psicológico vivido basicamente por duas mulheres que se conhecem em um bar e se tornam grandes amigas.

Como em vários outros filmes seus, o cineasta procura satirizar a família burguesa francesa, onde as crianças e as mulheres são tratadas mais como posses do que como pessoas humanas. Ao desenvolver a trama, ele usa bastante o recurso de flashbacks.

Embora não se trate de um filme premiado, além da grande direção imposta por Chabrol, o filme conta ainda com ótimos design de produção, fotografia e as magníficas atuações de Stéphane Audran e Marie Trintignant, nos papeis principais.

CAA