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ZUZU ANGEL (2006)

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Ficha Técnica

Pais: Brasil
Gênero: Drama
Direção: Sérgio Rezende
Roteiro: Sérgio Rezende, Marcos Bernstein
Produção: Joaquim Vaz de Carvalho
Design Produção: Marcos Flaksman
Música Original: Cristóvão Bastos
Música Não Original: Chico Buarque
Fotografia: Pedro Farkas
Edição: Marcelo Moraes
Direção de Arte: Marcos Flaksman, Daniel Flaksman
Figurino: Kika Lopes
Guarda-Roupa: Ro Nascimento
Maquiagem: Martin Macias
Efeitos Sonoros: Márcio Câmara, Miriam Biderman, Rodrigo de Noronha
Efeitos Especiais: Federico Farfán
Nota: 7.8
Filme Assistido em: 2007

Elenco

Patrícia Pillar Zuleika 'Zuzu Angel'
Daniel de Oliveira Stuart Angel
Leandra Leal Sônia
Alexandre Borges Fraga
Luana Piovani Elke
Aramis Trindade Tenente
Ângela Vieira Lúcia
Regiane Alves Hildegard Angel
Fernanda de Freitas Ana Cristina Angel
Othon Bastos Brigadeiro
Caio Junqueira Alberto
Nelson Dantas Antônio Lamarca
Paulo Betti Carlos Lamarca
Elke Maravilha Lieselotte
Ângela Leal Elaine
Ivan Cândido Capelão
Antônio Pitanga Policial
Chico Expedito General Bosco
Flávio Bauraqui Mota
Márcio Cândido Almirante
Isio Gjelman Norman Angel, ex-marido de Zuzu
Jaime Leibovitch Senador Church
Joana Seibel Modelo

Prêmios

Grande Prêmio Brasileiro de Cinema, Brasil

Prêmio de Melhor Figurino

Indicações

Grande Prêmio Brasileiro de Cinema, Brasil

Prêmio de Melhor Atriz (Patrícia Pillar)

Prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (Daniel de Oliveira)

Prêmio de Melhor Direção de Arte

Prêmio de Melhor Maquiagem

Prêmio de Melhor Som

Sinopse

Em meados dos anos 60, a carreira de Zuzu Angel, como estilista, começa a deslanchar, enquanto seu filho, Stuart, ingressa no movimento estudantil contrário à ditadura militar que se instalara no Brasil.  No meio em que luta, o jovem conhece e termina se casando com Sônia, uma estudante igualmente engajada no movimento.  Vivendo na clandestinidade, Sônia é presa e, ao sair da prisão, viaja para o exterior.

Em 1971, no auge de sua carreira, após estrondoso sucesso de um desfile em Nova York, o sonho de Zuzu era conseguir financiamento para levar sua moda ao mundo inteiro.  Por outro lado, a falta de notícias de seu filho Stuart, a essa altura militante do MR-8, a inquietava.

Separada do marido norte-americano, ela o procura no interior de Minas Gerais, onde ele abriu um orfanato, a fim de saber se o mesmo tem notícias do filho, mas não consegue nenhuma informação.  Ao receber um telefonema anônimo informando-a que seu filho foi preso, ela procura Fraga, seu amigo e advogado, a fim de tentar um habeas-corpus.  Este lhe diz que o regime militar acabou com a instituição do habeas-corpus para crimes políticos, de modo que agora podem passar até 45 dias, com um preso, sem ter que dar satisfações a ninguém.

Zuzu passa a percorrer as dependências militares das três armas, a fim de obter alguma informação que a leve ao filho.  Tudo em vão, pois os comandantes militares simplesmente dizem que não o têm como preso.  Desesperada, passa a enviar cartas às pessoas influentes do país, como intelectuais, artistas, deputados e até para o presidente Médici.  Nada surte efeito.

A confirmação da morte de Stuart chega pelo correio.  O preso político Alex Alverga descreve da prisão as torturas que presenciou e que terminaram com a morte de Stuart.  Começa, então, uma nova batalha pública da mãe de um desaparecido político, cuja tortura e morte não são reconhecidas pelos órgãos de segurança governamentais, para pelo menos reaver o corpo do filho.

Usando da ousadia de artista e da persistência de mãe, Zuzu desenvolve uma coleção estampada com manchas vermelhas, pássaros engaiolados e motivos bélicos.  Seu desfile-protesto, em Nova York, leva os jornais a comentarem que a moda assume cunho político.  No Congresso americano, o Senador Church a recebe e lhe garante que vai enviar correspondências para o Secretário Geral da ONU, para o Embaixador do Brasil em Washington e para o Secretário de Estado americano, pedindo que cobre de Brasília esclarecimentos sobre o destino de seu filho.

Em dezembro de 1975, Fraga lhe diz que um tenente da aeronáutica, que servira durante dois anos na Base Aérea do Galeão, está disposto a contar o que sabe.  Depois de vários contatos com ele, Zuzu recebe um envelope contendo suas declarações sobre o episódio da prisão, tortura e morte de Stuart, cujo corpo teria sido jogado, ao mar, de um helicóptero.

Aproveitando a passagem pelo Brasil do Secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, Zuzu vai ao hotel onde ele se acha hospedado e lhe entrega o tal envelope.  No Rio de Janeiro, passa a ser seguida, a receber ameaças pelo telefone e tem sua loja, no Leblon, incendiada.  Certa noite, ao sair do Túnel Dois Irmãos, tem seu carro jogado fora da auto-estrada, morrendo no local.  Pouco antes desse acidente, que a vitimou, Zuzu havia deixado com o compositor Chico Buarque, um documento que dizia: "Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho".

A morte de Zuzu Angel foi declarada acidental.  Chico Buarque distribuiu 60 cópias do documento por ela deixado, a personalidades e à imprensa, mas nenhum jornal a publicou.  22 anos depois, a Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos, com base numa perícia irrefutável e em uma testemunha ocular, concluiu que Zuzu foi assassinada.

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Comentários

Baseado numa história verídica, "Zuzu Angel" é um ótimo filme.  Realizado pelo cineasta Sérgio Rezende, que também é co-autor do roteiro, o filme narra o drama vivido por uma estilista brasileira de renome internacional, inicialmente na busca de informações sobre seu filho, militante do movimento MR-8, durante os anos de chumbo proporcionados pela ditadura militar brasileira e, depois de tomar conhecimento de sua morte, na reivindicação do direito de uma mãe poder enterrar seu próprio filho.

Rezende já esteve melhor em outros filmes como, por exemplo, "Guerra de Canudos".  Aqui, além de sua direção não ser consistentemente boa, do início ao fim, ele peca como co-autor de um roteiro bastante confuso, principalmente pelo uso excessivo de flashbacks.

De qualquer forma, mesmo com suas falhas, "Zuzu Angel" é imperdível, por retratar a vida dessa grande mulher, por colocar em foco os horrores da ditadura militar dos anos 60 e 70 e, sem dúvida, para que se possa admirar a magnífica atuação de Patrícia Pillar no papel-título.  Patrícia é, realmente, o grande nome desse filme, roubando quase todas as cenas das quais participa.

A trilha sonora é adequada, terminando com a música "Angélica", composta por Chico Buarque em homenagem à própria Zuzu Angel.  A fotografia também merece ser mencionada, assim como, o trabalho dos atores, de uma maneira geral.

CAA