Filmes por gênero

MADAME BOVARY (1991)

Madame Bovary
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Pani Bovary (Polônia)
Bovaryné (Hungria)
Мадам Бовари (União Soviética, Bulgária)
Pais: França
Gênero: Drama, Romance
Direção: Claude Chabrol
Roteiro: Claude Chabrol
Produção: Marin Karmitz
Design Produção: Michèle Abbé-Vannier
Música Original: Matthieu Chabrol, Jean-Michel Bernard, Maurice Coignard
Direção Musical: Michel Ganot
Fotografia: Jean Rabier
Edição: Monique Fardoulis
Figurino: Corinne Jorry
Maquiagem: Sandrine Coraux, Elisabeth Perchet, Catherine Demesmeaker
Efeitos Sonoros: Brigitte Grynblat, André Naudin, Philippe Richard, Gadou Naudin
Nota: 7.9
Filme Assistido em: 1992

Elenco

Isabelle Huppert Emma Bovary
Jean-François Balmer Dr. Charles Bovary
Christophe Malavoy Rodolphe Boulanger
Jean Yanne M. Homais - o farmacêutico
Lucas Belvaux Leon Dupuis
Christiane Minazzoli Viúva Lefançois
Jean-Louis Maury M. Lheureux
Florent Gibassier Hippolyte
Jean-Claude Bouillaud Pai de Emma
Sabeline Campo Felicité
Yves Verhoeven Justin
Marie Mergey Mãe de Charles
François Maistre Conselheiro Lieuvain
Thomas Chabrol O Visconde
Gilette Barbier Natasie
Dominique Clément Madame Homais
Pierre-François Dumeniaud Hivert
André Thorent Dr. Canivet
Dominique Zardi Homem cego
Jacques Dynam Abade Bournisien
Christine Paolini Madre Roler
Etienne Draber Guillaumin
Henri Attal Hareng

Prêmios

Festival Internacional de Cinema de Moscou, Rússia

Prêmio São George de Prata de Melhor Atriz (Isabelle Huppert)

Indicações

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA

Oscar de Melhor Figurino (Corinne Jorry )

Prêmios Globo de Ouro, EUA

Prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira

Festival Internacional de Cinema de Moscou, Rússia

Prêmio São George de Ouro (Claude Chabrol)

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

No século XIX, Emma Rouault é uma jovem camponesa que vive numa pequena cidade do interior da França. A vida provinciana a sufoca e ela termina se casando com um viúvo e rico médico, Charles Bovary, que conheceu na época em que ele foi cuidar de seu pai quando este quebrou a perna. Na ocasião, o médico é seduzido por sua beleza e sensualidade.

Charles, além de ser mais velho, é bem metódico. À medida que a intimidade da vida deles aumenta, Emma cada vez mais se distancia do marido. Ela chega a se perguntar por que se casou. Quando o Marquês de Andervilliers os convida para um baile em sua mansão, ela se anima pela oportunidade de sair de sua rotina enfadonha. Uma vez no baile, Emma sugere ao marido que não fica bem para um médico respeitado se expor numa festa como aquela, o que abre espaço para ela poder dançar com vários cavalheiros presentes. Ao final da recepção, ela confessa ao marido que aquela foi uma das noites mais felizes de sua vida.

Entretanto, passa-se um novo ano sem que nenhum outro convite similar seja feito ao casal. Desanimada, Emma abandona a música que tanto amava, assim como, seus cadernos de desenho e de tapeçaria. Charles não sabe como agir para que a esposa saia daquele marasmo. Depois de algum tempo, ele lhe sugere que se mudem para uma cidade um pouco maior, embora tal decisão implique em sacrifícios para ele.

Assim, o casal se muda para Yonville, Emma já em estado avançado de gravidez. Na chegada à nova cidade, o Sr. Homais se apresenta como sendo o farmacêutico local, ocasião em que apresenta ao casal o Sr. Léon Dupuis, escrevente do Cartório, e o advogado Guillaumin. Quando a criança nasce, recebe o nome de Berthe e é colocada para mamar na casa da mulher do marceneiro. Certo dia, Emma sente um desejo irresistível de ver a filha, que se encontra no outro lado da cidade. Sentindo-se um pouco confusa, ao se encontrar na rua com o Sr. Dupuis, ela lhe pede para acompanhá-la.

Aos domingos, Homais costuma recebê-los. Enquanto ele joga cartas com Emma, o Sr. Dupuis que sempre comparece, fica atrás dela a lhe dar palpites no jogo. Logo depois, quando Homais passa a jogar dominó com Charles, Emma e Léon se afastam um pouco, quando ela sempre lhe pede para recitar alguns versos. Certa vez, no entanto, Homais informa a Charles e Emma que Léon está indo morar em Paris. Pouco depois, ele os procura para se despedir.

Durante uma tão esperada Feira Agrícola, Rodolphe Boulanger, um homem sem escrúpulos consegue se afastar em companhia de Emma que, depois de ser bastante assediada, cai em sua conversa e o beija. Para deixá-la bastante ansiosa, ele passa vários dias sem a procurar. Ao se encontrar com Charles, Rodolphe lhe diz que, por conta da vida monótona que Emma leva, talvez fosse bom para ela fazer diariamente algumas cavalgadas. Concordando com os argumentos de Rodolphe, Charles incentiva a mulher a realizar as tais cavalgadas. É nessa época que ela se apaixona perdidamente pelo cafajeste. E assim se passam seis meses.

Enquanto isso, Charles opera Hippolyte, um homem com um dos pés bastante deformado. A primeira impressão é a de que a cirurgia foi um tremendo sucesso, o que faz com que Homais consiga que a pretensa vitória seja propagada através de vários dos principais jornais do País. Dias depois, a situação se reverte e Hippolyte se vê à beira da morte. No desespero, um aclamado médico de Rouen, Dr. Canivet, é chamado às pressas para examiná-lo, o qual só vê uma solução: amputar a perna do doente até a coxa.

Preocupado com seu futuro profissional, Charles procura apoio em sua mulher, mas esta o repudia, ao mesmo tempo em que retoma seus encontros e sua paixão por Rodolphe. Por outro lado, passa a fazer grandes gastos com o agiota e vendedor sem escrúpulos, Sr. Lheureux. Assim, ela começa a presentear seu amante com presentes caríssimos como, por exemplo, uma estola para servir de cachecol e um porta-cigarros idêntico ao do Visconde.

No encontro seguinte dos dois, Emma insiste em que os dois devem fugir para começarem uma vida nova bem longe dali. Sem ver uma saída, Rodolphe termina por concordar com a fuga para o dia seguinte, quando os dois se encontrarão ao meio-dia no Hotel de Provence. Entretanto, ao se encontrar sozinho, ele lhe escreve um bilhete onde diz: “Não quero fazer mal à sua vida. Esqueça-me. O mundo é cruel. Em todos os lugares onde estivemos, sofremos preconceito e calúnias. Estarei longe quando você ler estas tristes linhas, pois quero evitar a tentação de lhe rever. Adeus. Rodolphe”.

Após ler o bilhete, Emma passa mal e desmaia. Charles a diagnostica como tendo uma febre cerebral e, durante 43 dias ele não a deixa, abandonando seus pacientes, sem dormir. Depois desse período, ela continua tendo algumas recaídas. Aconselhado por Homais, Charles a leva à Rouen a fim de assistirem à apresentação do tenor Lagardy, antes que ele viaje para a Inglaterra.

No teatro, eles se encontram com Léon, recém-chegado de Paris, para passar dois anos se aperfeiçoando em Rouen.
Os três conversam sobre as novidades e, com isso, deixam de assistir ao último Ato, considerado o ponto forte e imperdível de Lagardy. Animado com a melhora da mulher, Charles insiste para que ela fique mais dois dias em Rouen a fim de assistir à reapresentação do tenor, o que ele não faz por conta de seus compromissos profissionais. Nesses dois dias, Emma e Léon falam do amor que tiveram no passado, ele querendo retomá-lo, mas ela se mantendo cautelosa.

Ao voltar para casa, Emma toma conhecimento da morte de seu sogro e da chegada da sogra no dia seguinte. Com uma enorme dívida para com o Sr. Lheureux, ela é procurada pelo agiota, que lhe apresenta uma procuração com plenos direitos para que ele possa gerir os seus bens. Na verdade, a longo prazo, o inescrupuloso homem já está de olho na herança decorrente da morte do pai de Charles. No curto prazo, ele lhe informa que está cobrando na justiça a importância de 8.000 francos. Como ela e Charles não entendem bem de assuntos jurídicos, este aceita que Emma vá à Rouen ouvir a opinião de Léon.

Uma vez lá, a paixão dos dois reacende o que faz com que eles vivam uma verdadeira lua-de-mel nos três dias em que ela permanece na cidade. De volta à Yonville, Emma diz ao marido que Léon preferiu mostrar os papeis a um profissional seu amigo.

No dia seguinte, ela recebe uma notificação judicial dando-lhe um prazo de 24 horas para o pagamento dos 8.000 francos. Aflita, volta à Rouen na tentativa de conseguir um empréstimo com Léon, mas este lhe informa que não dispõe de tal quantia. Numa última esperança, ela localiza e procura Rodolphe, que também lhe nega o vultoso empréstimo. Desesperada, Emma consegue roubar um pacote de arsênico da Farmácia de Homais, usando o terrível veneno para se matar.

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Comentários

“Madame Bovary” é mais uma adaptação cinematográfica do célebre romance do escritor francês, Gustave Flaubert. Para mim, esta realização do cineasta parisiense, Claude Chabrol, é superior à produção americana de 1949, dirigida por Vincente Minnelli, tendo no personagem-título a talentosa Jennifer Jones. Por outro lado, em comparação com outros filmes deste grande mestre, conhecido como um dos mais destacados nomes da “nouvelle vague” e, também, como o Hitchcock francês, “Madame Bovary” não chega aos pés de obras como “Os Primos”, “Um Assunto de Mulheres” e “A Mulher Infiel”.

A trama gira em torno da trágica história de uma mulher provinciana que, não se adaptando à vida monótona de um casamento sem amor, busca sem sucesso sua felicidade através de algumas relações extraconjugais.

Além do belo trabalho desenvolvido por Chabrol, chama atenção a convincente atuação de uma de suas musas, a talentosa atriz Isabelle Huppert. Em papeis menores, podemos citar as interpretações de Jean-François Balmer, no papel do Dr. Charles Bovary, de Christophe Malavoy, como o amante Rodolphe Boulanger, e de Jean Yanne, como o farmacêutico Homais. Na área técnica, a reconstituição dos figurinos da época, a cargo de Corinne Jorry, mereceu uma indicação ao Oscar da Categoria, perdendo o tão cobiçado prêmio para a do filme “Bugsy”.

CAA