Filmes por gênero

ROMANCE NA ITÁLIA (1954)

Viaggio in Italia
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Ficha Técnica

Outros Títulos: Voyage en Italie (França)
La divorcée de Naples (Bélgica)
Viagem em Itália (Portugal)
Journey to Italy (USA)
Te querré siempre (Espanha)
Siempre te amaré (Venezuela)
Reise in Italien (Alemanha)
Liebe ist stärker (Austria)
Путешествие в Италию (Rússia)
Pais: Itália, França
Gênero: Drama, Romance
Direção: Roberto Rossellini
Roteiro: Roberto Rossellini, Vitaliano Brancati
Produção: Adolfo Fossataro
Design Produção: Piero Filippone
Música Original: Renzo Rossellini
Fotografia: Enzo Serafin
Edição: Jolanda Benvenuti
Figurino: Fernanda Gattinoni
Efeitos Sonoros: Eraldo Giordani
Nota: 8.2
Filme Assistido em: 1958

Elenco

Ingrid Bergman Katherine Joyce
George Sanders Alexander 'Alex' Joyce
Marie Mauban Marie
Anna Proclemer Prostituta
Paul Müller Paul Dupont
Anthony La Penna Tony Burton
Natalia Rai Natalia Burton
Jackie Frost Betty
Lila Rocco Sra. Sinibaldi
Adriana Danieli Amiga de Judy
Bianca Maria Cerasoli Sra. Notari, amiga de Judy
Lucio Caracciolo Convidado do Duque de Lipoli
Marcello Caracciolo Convidado do Duque de Lipoli
Paolo Carola Convidado do Duque de Lipoli

Prêmios

Prêmios Bambi, Alemanha

Prêmio Bambi de Melhor Atriz Internacional (Ingrid Bergman)

Sociedade dos Críticos de Cinema de Boston

Prêmio Louvor Especial

Videoclipes

70 anos de cinema

Sinopse

Um rico advogado inglês, Alexander Joyce, e sua mulher Katherine chegam de automóvel à Nápoles, onde se hospedam num luxuoso hotel.  A viagem é de poucos dias, o tempo suficiente para venderem uma mansão herdada de um tio por Katherine.

Assim que se instalam no hotel, ela lhe sugere que desçam ao bar para tomarem um drinque, já que sabe que ele não gosta quando ficam sozinhos.  Ela ainda comenta que, ao longo da viagem, percebeu pela primeira vez que na realidade são dois estranhos.  Concordando, Alex diz que, após oito anos de casamento, eles não sabem nada um do outro.  Ao descerem, encontram Judy, uma amiga de Alex de longa data, que há três meses vive em Capri.  Esta os apresenta a diversos amigos e, quando todos se juntam numa mesa, Katherine percebe que o marido flerta com Judy, deixando-a com ciúmes.

Na manhã seguinte, Tony Burton, um arqueólogo que vive com sua mulher, Natalia, na mansão a ser vendida, chega ao hotel para levar o casal para a tal mansão, afastada do centro da cidade, onde se instalam.  O imóvel é repleto de obras de arte e muito bem localizado.  Tony e sua mulher torcem para que o casal goste tanto da "Villa" que desistam de vendê-la.

Katherine mergulha em suas lembranças de um jovem poeta, Charles Lewington, que conhecera antes de se casar e que teria estado em Nápoles, como soldado, durante a guerra.  Alex tenta dissimular seu ciúme através de críticas cínicas.  Na manhã seguinte, ela pede o carro ao marido e vai até a cidade visitar o Museu Arqueológico, do qual Lewington muito lhe falara.  Alex fica a aguardar dois compradores em potencial para a mansão.

Na tarde seguinte, ao tomar conhecimento que o Duque de Lipoli, tido como o melhor amigo de seu tio, gostaria de conhecê-la, Katherine e Alex o procuram, onde são apresentados a diversos condes, condessas, duques e príncipes.  Katherine é o centro das atenções, o que deixa Alex mais uma vez enciumado.  Na volta, ele critica o ridículo romantismo dela, enquanto ela reclama de seus olhares recriminadores que a estão destruindo.  Alex diz que o melhor é eles se separarem por alguns dias.

Na manhã seguinte, ao se acordar, Katherine descobre que ele já partiu para Capri, onde foi juntar-se à Judy e seus amigos.  Lá, ao conversar com a amiga, esta lhe diz que, embora tente não demonstrar, ele ainda é apaixonado pela esposa e não vai conseguir divorciar-se dela.  Mais tarde, ele acompanha uma jovem mulher, Marie, até a casa dela, onde combinam se encontrar no dia seguinte.  Na hora marcada, eles se encontram e, enquanto dão um pequeno passeio, Marie comenta que o marido está chegando à Capri naquele dia, pois o desentendimento ocorrido entre ambos acha-se totalmente ultrapassado.  Alex sente escorregar mais uma perspectiva de uma nova aventura.

Enquanto isso, em Nápoles, Katherine visita a Grotta della Sibilla, o Templo de Apollo e o Vesúvio. Neste último, um guia lhe mostra uma pequena cratera que se formou em sua última erupção, bem como, o efeito da ionização.  No dia seguinte, em companhia de Natalia, visita as catacumbas da Igreja de Fontanella.

Quando Alex e Katherine voltam a se encontrar, uma nova discussão se dá por conta do automóvel, a qual termina com os dois dispostos a se divorciarem.  Tony chega para levá-los à Pompéia, a fim de lhes mostrar as escavações no sítio arqueológico que indicam a descoberta de um casal enterrado sob as lavas do Vesúvio.  Uma vez lá, Katherine não se sente bem.  Pedindo desculpas, Alex retorna com ela à Nápoles.

No caminho de volta, ele sugere retornar imediatamente de avião à Londres, a fim de dar início ao processo de divórcio, enquanto ela fica até concluir a venda da "Villa".  Na entrada da cidade, entretanto, uma enorme procissão bloqueia a passagem do veículo.  Enquanto aguardam a liberação do tráfego, Katherine pergunta a Alex se ele tem certeza que estão fazendo a coisa certa, ao que ele lhe responde que ela está-se tornando uma pessoa sentimental.  Ela lhe diz que, não quer terminar tudo, com ele a odiando.

Com o trânsito parado, os dois resolvem sair um pouco do carro.  Katherine é levada pela multidão, que passa, e se desespera.  Com dificuldade, Alex consegue alcançá-la, ocasião em que ela confessa que não quer perdê-lo.  Ele, por outro lado, a abraça e diz que a ama.

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Comentários

"Romance na Itália" é mais um belo filme do grande mestre, Roberto Rossellini.  Considerado o pai do cinema neo-realista italiano pós-guerra, com "Roma, Cidade Aberta", de 1946, aqui ele nos apresenta uma nova linguagem a caminho da modernidade.

A trama gira em torno de um casal em viagem à Itália, cujo relacionamento beira a ruptura.  Depois de oito anos de casamento, tomam consciência da incomunicabilidade que existe entre eles.  Pouco a pouco, entretanto, a descoberta do fracasso conjugal terá diversas repercussões sobre um e sobre o outro.  Se, por um lado, sentem-se como estranhos, por outro agem como esposos ciumentos e possessivos.  Essas incongruências terminam por levá-los ao que poderíamos chamar de um casal em redescoberta.  A revelação final do amor que sentem, um pelo outro, dá-se pela insuportável separação dos dois, promovida pela multidão que acompanha a procissão de São Genaro, padroeiro de Nápoles.

Essa reviravolta final pode ser atribuída, também, a um milagre do santo.  Foram inúmeras as repetições do milagre da liquefação do sangue de São Genaro, segundo fontes oficiais do Vaticano.  Em setembro de 2005, quando da passagem do décimo sétimo centenário do martírio de São Genaro, a Igreja em Nápoles promoveu um Congresso Internacional de estudo sobre a vida do santo.  O encontro tratou de questões ligadas à arqueologia, à antropologia e à história da arte.  São Genaro, bispo de Benevento, foi decapitado no ano 305.  O milagre do sangue pode produzir-se três vezes ao ano:  em 19 de setembro, dia da festa do santo;  no primeiro fim-de-semana de maio, e em 16 de dezembro, aniversário da erupção do Vesúvio em 1631, que, segundo a tradição, cessou após as orações dos fiéis ao patrono da cidade.

Além do excelente trabalho realizado por Rossellini e das magníficas atuações de Ingrid Bergman e George Sanders, "Romance na Itália" nos brinda ainda com soberbas paisagens italianas, com as impressionantes visitas ao Vesúvio e ao sítio arqueológico de Pompéia, como também ao Museu Arqueológico de Nápoles, à Grotta della Sibilla, ao Templo de Apollo e às catacumbas da Igreja de Fontanella.
 
CAA